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FOTOGRAFIAS
E lá fomos na nossa primeira internacionalização.
Eram 7.21 e já entravamos, na companhia do incansável Rafa, no trilho das traseiras da Ermida da Nossa Senhora do Xurés em direcção às Mina das Sombras.
E embora a placa indicasse, erradamente, 9kms demorou-se menos de duas horas a chegar, tendo em conta que paramos uns minutos a conversar com um caçador Galego que andava, em companhia do seu cão, à caça das perdizes. Entramos na casa que albergava o P.T. das minas às 9.19 com o GPS a marcar pouco menos que 7kms.
A ideia era explorar o terreno circundante e tentar chegar ao marco de fronteira…mas fomos traídos pelo tempo. Na subida manteve-se estável, sem chuva e com nevoeiros altos, mas quando saímos do P.T. começou a cair uma ‘foleca’ acompanhada de frio. E no curto espaço de entrar num dos edifícios em ruínas, que julgamos ter sido as camaratas, e sair do mesmo deparamos com um nevoeiro não muito cerrado mas que escondia já o P.T., uns metros mais abaixo.
Ainda ficamos um bocado a ver se melhorava e tiramos a foto da praxe ao vagão existente na entrada de um acesso às minas mas as nuvens, a Norte, embora altas ficavam cada vez mais escuras e o nevoeiro, umas vezes mais outras menos, não demonstrava vontade de se dissipar.
Abandonamos assim a ideia de subir e tomamos o caminho de volta.
E em boa hora o fizemos pois, a um terço do caminho e após termos reencontrado o caçador mais o seu fiel amigo o S. Pedro decidiu brindar-nos com a sua presença.
Kit de chuva em cima e pés ao caminho.
Ainda antes de chegar tomamos outro trilho (tb. marcado e que descobrimos depois ser o Trilho da Ermida do Xerés) que já tínhamos visto à ida para cima.
Levou-nos à volta do monte e por entre três Capelinhas que existem entre Vilameá e a Ermida antes de terminar no local de início.
Fica prometida outra caminhada com o intuito de fazer um croqui das instalações e chegar, pelo menos, ao marco da fronteira.
P.S. – Ainda sobre a Mina das Sombras tomei a liberdade de copiar, daqui, um texto que penso ser bastante elucidativo:
‘Sombras
As Sombras adquiriram uma grande fama devido às suas minas de volfrâmio (filões de quartzo com volframita negra) que se exploraram intensamente durante a II Guerra Mundial, devido à sua escassez e elevado preço. Este metal era muito importante para o endurecimento do aço utilizado na blindagem anti-aérea. Nesta altura, uma grande quantidade de trabalhadores deslocou-se em busca do apreciado metal. A mina das Sombras converteu-se numa espécie de El Dorado. Ainda se podem ver o posto da guarda e as rudimentares casas utilizadas durante a exploração das minas. São os restos dos sonhos e da riqueza abandonados. Outros minerais que se podem encontrar nas Sombras são a molibdénio e o berílio de cor vermelho azulado, sem esquecer a exploração do ouro que fizeram os romanos nestas serras.
O fim da II Guerra Mundial fez cair os preços do volfrâmio devido à entrada de minerais vindos da China, Birmânia e Bolívia. A exploração da Mina das Sombras entra em decadência até ao seu abandono definitivo, poucos anos depois.
Testemunha de Manuel Vázquez Rodríguez (Lovios) falando do ano 1951: “cando extraiamos o mineral por libre, nas Sombras, cun martelo, saían anacos que pesaban moito, e metiámolos en saquetas de 20-30 kilos, e baixabámolo ás costas ou en burros até Vilameá, onde o gardabamos nunha granxa até que se negociaba. Había moitos carabineiros vixiando, polo que un de nós tiña que facer garda, e co diñeiro recaudado polo mineral pagábaselle un xornal proporcional entre todos.
Moitas veces baixabamos sen nada. Na compañía gañabamos 14 pesetas e traballabamos oito horas, anque moitas veces aproveitáronse de nós e traballamos de sol a sol, e como daquela non se podía protestar, se non xa sabías o que che pasaba. En ocasións obrigáronnos a levar sacos de mineral para os Carrís que intercambiamos por bidóns de gasoil que viñan ás costas.”’
Etiquetas: Caminhadas 2008, Mina das Sombras
