A coisa tá preta – III


A coisa é nova, recente mesmo.
Mas tá negra, preta até.

Partiu em final de mandato e talvez de alguma face oculta, seguramente acomodada e confortavelmente instalada num qualquer escritório com ar condicionado.
É a já famosa portaria (carinhosamente apelidada de porCaria) 1245 de 13 de Outubro de 2009.

Na prática impõe-se a cobrança, pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, de um mínimo de 200Euros (incluirá já o iva?) para todo e qualquer parecer e possível (ou não) autorização de acesso às áreas naturais sob a alçada do mesmo Instituto, incluindo o Parque Nacional da Peneda-Gerês em actividades culturais, desportivas e recreativas.
Está de imaginar, em pleno Verão, uma barraquinha à entrada do estradão para as ‘Cascatas’ do Rio Homem ou do Arado com um par de estudantes, em ocupação de tempos livres e de colete amarelo, a cobrar de multibanco portátil na mão a tal de taxa para que seja, ou não, dada a autorização para o pessoal dar, ou não, uns mergulhos e esquecer-se, ou sim, de trazer o lixo que fez.

E por falar em lixo, aqueles que participaram na ‘Brigada dos Almeidas’ de 17 de Outubro não estranhem se lhes for pedido, a título retroactivo, a tal taxa de 200Euros. Essa sim poderia ter sido para ajudar na compra dos sacos de lixos inexistentes.

Mas cuidado, que poderão haver alguns que até achem que tal taxa não será, por demais, exagerada.
Olhando um pouco além do nosso umbigo imaginem que as taxas para actividades agrícolas poderão chegar a um número redondo de…1.000Euros.
É que já não bastava os locais serem espoliados dos seus direitos desde 8 de Maio de 1971…

E embora se entenda que deva existir controlo nos acessos será difícil compreender qual a finalidade de tal taxa absurda.
Auto financiamento encapotado?
Negócios de mariolas pintadas de cores berrantes?
O Pan Parks (e a utopia de uma zona ‘wilderness’ exagerada e talvez até impossível em tamanho), onde se compraram umas botas sem sequer se verificar se as mesmas serviriam? (Não é assim, Zé?)
Fecharem os parques à população em geral e filtrar o ecoturismo, pedestrianismo e até o montanhismo em questões de carteiras menos ou mais recheada$?

De outra ou de uma maneira, com aquela ou esta finalidade o pessoal não anda a dormir na forma.
E no seguimento de uma petição e várias iniciativas privadas ou partidárias (que bom que seria se fossemos sempre governados pela oposição) passa-se a palavra para todos os interessados de uma marcha silenciosa em Braga contra a injustiça da Portaria 1245/2009, a efectuar no dia 12 de Dezembro pelas 9h30 da manhã, tendo como ponto de encontro o Arco da Porta Nova.
Mais detalhes no site do amigo Rui.

Vá lá.
Todos juntos nunca seremos demais.

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