Arquivo da Categoria ‘Caminhadas 2008’

Portela – Carris – Portela – 06.12.08

Sábado, 6 de Dezembro, 2008


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Ficou agendado apenas na noite anterior mas valeu, com toda a certeza, a pena. Pena mesmo foi o S. Pedro, normalmente cooperante, ter-nos acompanhado todo o percurso. Todo não, deu folga no último km já na subida para a Portela do Homem.

Mochilas nas costas pelas 08.27 para toneladas de pedras de todos os tamanhos e feitios a forrarem o chão do estradão.
São bosques, lagoas, cascatas e cursos de água sem fim no caminho pelo Vale do Alto Homem, de escarpas imponentes e paisagens indescritíveis.
Alguma neve pelo caminho até que se deslumbra, no meio do chuva e do nevoeiro, as paredes de uma casa…
Uns metros mais, transpõe-se os dois pilares que marcam a entrada do antigo complexo e depara-se com uma cidade fantasma. Os tectos de lusalite já eram e restam as paredes de pedra com as formas do que já foram portas e janelas.
-”Aqui eram as oficinas, aqui a cozinha, aqui a enfermaria, aqui as camaratas…”, explicava o Rui, veterano nestas visitas aos Carris.
A chuva e o vento não permitiram grandes voltas.
Depois de um chã quente no único local com tecto, à sombra do Penedo da Saudade, e com o ouvido atento ao flautista fantasma dos Carris :-) espreitou-se, por entre o nevoeiro, a Corga das Negras, vasculhou-se um par de edifícios e desceu-se à represa ainda com uma camada de gelo superficial considerável. Na volta uma lebre, o único animal que se avistou, trepou umas rochas a uma velocidade incrível e desapareceu num ápice.

Não merecia a pena subir ao Marco e ala para baixo.
Na descida ainda se encontrou um grupo de 4 caminheiros e um casal de Espanhóis escoltados por dois cães.
Eram cerca das 15.30 quando chegamos à Portela do Homem.
Alma renovada e lavada por um dos mais míticos locais do Gerês.
E, claro, abraço especial ao companheiro e veterano Rui, do blog dos Carris.

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Couce-Altos Zerbos-Alto Pias-Couce – 22.11.08

Sábado, 22 de Novembro, 2008


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Desde os tempos em que acampávamos com o Grupo 4 da Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP) nas margens do Rio Ferreira e da saudosa Grande Rota nº. 1 (GR1) do FAOJ já passaram bem mais de vinte anos (como o tempo voa). E muita coisa mudou.
A estrada de Belói está já alcatroada até bem perto do ‘Tasco de Couce’ e, de Valongo, o paralelo chega mesmo até à ponte de Couce.
O raio do eucalipto teima em imperar, pelo menos nas partes mais altas da Serra, e o Ferreira poderia estar mais limpo, mas com a abertura do Parque Paleozóico tudo parece estar no bom caminho.
Vamos aproveitar a proximidade da Serra de Valongo e centrar as nossas saídas, nestes dias mais curtos e sempre que o tempo o permita, para a mesma.
Tem, além dos três percursos sinalizados, destinos para mais caminhadas (Aguiar de Sousa, Srª. do Salto, etc.), o Ferreira como rio, antigas minas Romanas (fojos) com visitas seguras e guiadas e até as ruínas do Sanatório.
Não é o Gerês mas estou seguro que valerá a pena subir e descer as serras de Pias, de Santa Justa e do Castiçal.

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Trilho dos Canos de Água :: 16.11.08

Domingo, 16 de Novembro, 2008


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Original no mínimo e… simplesmente fabuloso este trilho da responsabilidade dos Amigos da Chão.

Vale a pena caminhar sobre os canos de água, visitar o local de S. Mamede com menos de meia centena de habitantes, passear pelo bosque da carreira de tiro com as suas casamatas (?), subir à casinha dos aviões, passar pela citânea e descer novamente ao Templo.

Vale mesmo a pena!

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Ermida do Xurés – Mina das Sombras – 01.11.08

Sábado, 1 de Novembro, 2008


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E lá fomos na nossa primeira internacionalização.
Eram 7.21 e já entravamos, na companhia do incansável Rafa, no trilho das traseiras da Ermida da Nossa Senhora do Xurés em direcção às Mina das Sombras.
E embora a placa indicasse, erradamente, 9kms demorou-se menos de duas horas a chegar, tendo em conta que paramos uns minutos a conversar com um caçador Galego que andava, em companhia do seu cão, à caça das perdizes. Entramos na casa que albergava o P.T. das minas às 9.19 com o GPS a marcar pouco menos que 7kms.

A ideia era explorar o terreno circundante e tentar chegar ao marco de fronteira…mas fomos traídos pelo tempo. Na subida manteve-se estável, sem chuva e com nevoeiros altos, mas quando saímos do P.T. começou a cair uma ‘foleca’ acompanhada de frio. E no curto espaço de entrar num dos edifícios em ruínas, que julgamos ter sido as camaratas, e sair do mesmo deparamos com um nevoeiro não muito cerrado mas que escondia já o P.T., uns metros mais abaixo.
Ainda ficamos um bocado a ver se melhorava e tiramos a foto da praxe ao vagão existente na entrada de um acesso às minas mas as nuvens, a Norte, embora altas ficavam cada vez mais escuras e o nevoeiro, umas vezes mais outras menos, não demonstrava vontade de se dissipar.
Abandonamos assim a ideia de subir e tomamos o caminho de volta.
E em boa hora o fizemos pois, a um terço do caminho e após termos reencontrado o caçador mais o seu fiel amigo o S. Pedro decidiu brindar-nos com a sua presença.
Kit de chuva em cima e pés ao caminho.
Ainda antes de chegar tomamos outro trilho (tb. marcado e que descobrimos depois ser o Trilho da Ermida do Xerés) que já tínhamos visto à ida para cima.
Levou-nos à volta do monte e por entre três Capelinhas que existem entre Vilameá e a Ermida antes de terminar no local de início.

Fica prometida outra caminhada com o intuito de fazer um croqui das instalações e chegar, pelo menos, ao marco da fronteira.

P.S. – Ainda sobre a Mina das Sombras tomei a liberdade de copiar, daqui, um texto que penso ser bastante elucidativo:

Sombras
As Sombras adquiriram uma grande fama devido às suas minas de volfrâmio (filões de quartzo com volframita negra) que se exploraram intensamente durante a II Guerra Mundial, devido à sua escassez e elevado preço. Este metal era muito importante para o endurecimento do aço utilizado na blindagem anti-aérea. Nesta altura, uma grande quantidade de trabalhadores deslocou-se em busca do apreciado metal. A mina das Sombras converteu-se numa espécie de El Dorado. Ainda se podem ver o posto da guarda e as rudimentares casas utilizadas durante a exploração das minas. São os restos dos sonhos e da riqueza abandonados. Outros minerais que se podem encontrar nas Sombras são a molibdénio e o berílio de cor vermelho azulado, sem esquecer a exploração do ouro que fizeram os romanos nestas serras.
O fim da II Guerra Mundial fez cair os preços do volfrâmio devido à entrada de minerais vindos da China, Birmânia e Bolívia. A exploração da Mina das Sombras entra em decadência até ao seu abandono definitivo, poucos anos depois.
Testemunha de Manuel Vázquez Rodríguez (Lovios) falando do ano 1951: “cando extraiamos o mineral por libre, nas Sombras, cun martelo, saían anacos que pesaban moito, e metiámolos en saquetas de 20-30 kilos, e baixabámolo ás costas ou en burros até Vilameá, onde o gardabamos nunha granxa até que se negociaba. Había moitos carabineiros vixiando, polo que un de nós tiña que facer garda, e co diñeiro recaudado polo mineral pagábaselle un xornal proporcional entre todos.
Moitas veces baixabamos sen nada. Na compañía gañabamos 14 pesetas e traballabamos oito horas, anque moitas veces aproveitáronse de nós e traballamos de sol a sol, e como daquela non se podía protestar, se non xa sabías o que che pasaba. En ocasións obrigáronnos a levar sacos de mineral para os Carrís que intercambiamos por bidóns de gasoil que viñan ás costas.”’

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